Há dois meses, podíamos ver o mesmo sítio assim:
O património "é um tema sobre o qual já se disse tudo e, todavia, ainda parece que tudo está por dizer. Talvez porque associemos à palavra algo que se esvai, que se esgota e que se desvanece... e que queremos desesperadamente recuperar na sua totalidade. Uma totalidade mítica, que é rigorosamente utópica, porque o que queremos salvar como património nunca existiu." Vítor Oliveira Jorge
terça-feira, 23 de abril de 2013
Vestígios das cheias na Ribeira de Muge
Se a Ribeira de Muge transbordou coisa de apenas alguns dias, ainda hoje podemos encontrar alguns vestígios da forte precipitação que se fez sentir nesses dias. Podemos assim ver, num ponto de água algures no meio da Herdade dos Gagos, que os pinheiros que o circundam ainda têm parte considerável dos troncos submersos, como se pode ver nas fotos abaixo, tiradas hoje, por volta das 9h da manhã.
domingo, 21 de abril de 2013
A Ana Filipa está a morrer!
O sobreiro mais famoso da Herdade dos Gagos está a morrer. Mas a morrer naturalmente, como processo da natureza (com um pouco de negligência nos seus cuidados, talvez, não percebo do assunto o suficiente para o comentar...).
Que seja este o seu fim: o imposto pela natureza. E não o imposto pelo homem para a construção de uma prisão ou qualquer outra coisa.
Que seja este o seu fim: o imposto pela natureza. E não o imposto pelo homem para a construção de uma prisão ou qualquer outra coisa.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Moinho do Diego e a cartografia do séc. XIX – Parte II
Ao voltar a visitar o
website “Old Maps”, encontramos mais alguns mapas que referem o Moinho do
Diego. Apesar de não os irmos referir a todos, creio ser interessante apresentar
mais alguns, pois assim poder-se-ão levantar mais algumas questões.
A – (1800), “Provincias meridionales regni Portugalliae, scilicet Extremadura, Transtagana quibus regnum Algarbiae adiungitur”, por Homannischen Erben e Franz Ludwig Güssefeld
Este primeiro mapa
representa apenas os cursos de água, barragens e lugares, não apresentado
estradas. Contudo, este é o único que encontramos que tem legenda, ou seja,
conseguimos saber o que é cada um dos sinais que assinalam os lugares. Assim, o
Moinho do Diego é considerado uma “villa”, como Almeirim, Muge, Lamarosa, Erra
ou Coruche. Deste modo, cremos poder afirmar com alguma segurança que se
tratava não de um engenho isolado, mas sim de um conjunto de habitações,
possivelmente até com alguma dimensão, e onde habitaria um número significativo
de pessoas. Contudo, parece-nos excessiva a consideração daquele espaço como
uma vila, pelo que poderá apenas ser um erro de cartografia.
Em relação ao mapa,
há ainda a destacar a representação de uma ponte em Muge (possivelmente a ponte
romana). Muge e o Porto de Muge, à semelhança de alguns dos mapas da Parte I,
continuam mal situados. Também o lugar que acreditamos ser o Paço Real da
Ribeira de Muge surge como “Muya”, à semelhança dos mapas anteriores.
B – (1812), “A new Military Map of Spain and Portugal compiled from The Nautical Surveys of Don Vincent Tofiño, the new Provincial maps of Don Tomas Lopez, the large map of the Ptrenees by Roussill, and various original documents”, por John Stockdale.
C – (1813), Portugal,
por John Pinkerton
D – (1835),
“Portugal”, por John Cary
As erróneas
representações de Muge, de Porto de Muge e do Paço Real da Ribeira de Muge
continuam nestes três mapas. Quanto ao Moinho do Diego, parece-nos aqui estar
junto à Ribeira da Lamarosa, já perto do encontro desta com a Ribeira de Muge.
É um pormenor, que contudo pode resultar apenas de uma incongruência de
representação geográfica, e não ser de maior importância.
domingo, 14 de abril de 2013
Moinho do Ti Manuel Custódio
É deste modo que
aparece referido na “Carta Arqueológica do Concelho de Almeirim”, o único
documento oficial (por oficial, leia-se produzido pelas entidades competentes
para a gestão e salvaguarda do património) que faz um inventário dos bens
culturais a salvaguardar, nomeadamente os moinhos.
Localização do
engenho.
Não
conhecemos a origem deste engenho, no entanto, sabemos que ele já existia
aquando do levantamento para o “Mapa da Herdade dos Paços dos Negros”, com a
data de 1933. Atendendo a que o levantamento terá sido feito nos anos
anteriores à publicação do mapa, podemos inferir que o moinho será anterior aos
anos 30 do séc. XX. De salientar também que este engenho teve um casal de mós
francesas. Estas tinham como característica principal uma maior durabilidade e
uma necessidade de picagem inferior às restantes. Vinham de França, daí o seu
nome, de pedreiras em duas localidades relativamente perto de Paris: Ferté-sous-Jouarre
e Epernon. Os seus moleiros foram Manuel Custódio (proprietário), Manuel
Merenda, José Nobre e Joaquim Nobre.
Perspetiva do engenho
e da zona do açude. É visível o estado degradado em que se encontra.
A nível tecnológico,
cremos que terá sido o maior moinho de Paço dos Negros, pois tinha seis casais
de mós. Perto, apenas o da Raposa o conseguia igualar, e nenhum o superava. Estes
estavam divididos em dois corpos distintos. O primeiro era utilizado para o
descasque de arroz, contando com dois casais de mós. O segundo teria quatro,
entre os quais o conjunto de mós francesas. Quanto ao meio de propulsão, este era
um moinho de rodízio, como todos os outros que ainda podemos encontrar ao longo
da Ribeira de Muge. São ainda visíveis as seteiras dentro do cabouco do corpo
mais pequeno.
Seteiras no interior
dos caboucos do corpo mais pequeno.
Bibliografia
e outras fontes:
- (1933).
Herdade de Paço dos Negros. Mapa.
- Jesuína
Fidalgo (fonte oral)
- Manuela Evangelista
(fonte oral)
- OLIVEIRA, Ernesto
Veiga, GALHANO, Fernando e PEREIRA, Benjamim (1983). Tecnologia Tradicional
Portuguesa: Sistemas de Moagem. S/l: Imprensa Nacional da Casa da Moeda.
- WARD, Owen (2011). “Millstone Makers of Epernon”, in: International Molinology,
vol. 82. S/l: The International Molinological Society. (pp.
19-21)
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Moinho do Diego e a cartografia do séc. XIX - Parte I
De um conjunto de
cinco mapas de Portugal (encontrados no portal OldMaps), situados cronologicamente entre 1797 e 1883, surge em
comum um lugar assinalado, designado por “Moinho do Diego”. Este localizava-se
entre as ribeiras da Lamarosa e de Muge, aproximadamente junto ao sítio onde se
juntam. Juntamos a este um sexto mapa, sem legenda, que encontramos na internet,
e do qual não temos informação nenhuma, apesar de nos parecer ter alguns
aspetos interessantes.
A – (1797),
“Portugal”, por William Faden
Neste primeiro mapa,
o Moinho do Diego surge entre as duas ribeiras, como já referimos. Contudo,
podemos perguntar-nos qual a sua importância nesta época. Surgem as principais
localidades grafadas, apesar de alguns erros de representação (Muge está
no lado errado da ribeira e o Porto de Muge está a norte de Muge). É ainda interessante
de verificar que podemos encontrar um lugar designado por “Muja”, que
possivelmente será o Paço Real da Ribeira de Muge, que à data da elaboração do
mapa já pertencia à casa dos Condes da Atalaia.
B – (1829),
“Portugal”, por S. Hall.
Neste segundo mapa,
um pouco mais detalhado que o anterior em termos de estradas, podemos constatar
mais alguns pormenores interessantes. Em primeiro lugar, passava junto ao
Moinho do Diego uma caminho, possivelmente secundário (tendo em conta que a
linha que o assinala é substancialmente mais fina que as outras). Este caminho
tinha origem no Escaroupim (aldeia avieira, onde existia um porto de travessia
do Tejo em barcas), e ia dar à estrada que conduz Almeirim a Coruche. Mais uma
vez surge o lugar de “Muja” neste mapa. A ser o Paço Real da Ribeira de Muge,
ou o Paço dos Negros como já devia ser conhecido nesta altura, está mal
assinalado, visto que este se encontra não à esquerda da via Almeirim-Coruche
(de que é herdeira a atual N114), mas à direita da via Almeirim-Lamarosa (a
atual EM578 que liga estas localidades, passando por Fazendas de Almeirim, Paço
dos Negros, Arneiro da Volta, Monte da Vinha e Zebro).
C – (1835),
“Portugal”, por Rest. Fenner.
Neste terceiro mapa
encontramos a representação do Moinho do Diego num mapa mais desprovido de
pormenores. Com efeito, não surgem aqui outros lugares que víamos nos
anteriores (como Almeirim, Santa Marta, Chouto, Lamarosa ou Coruche). Será isto
significado que tinha uma importância de maior, hoje para nós desconhecida? Poderia
ser (e isto é apenas uma suposição da qual não temos fundamento algum), um
lugar importante naquela via, como sítio de repouso e descanso, um pouco na
ótica das atuais estações de serviço das nossas autoestradas?
D – (1855), “Spanien, Portugal SW”, por Heinrich
Berghaus, Carl Flemming, Carl Sohr e A. Theinert.
Neste mapa aparece-nos
novamente o caminho que parte do Escaroupim. Contudo, neste caso, prossegue até
“Ponte dSoro”, ou seja, Ponte de Sor.
Estes quatro mapas
podem ter sido feitos a partir de outros, tendo por base o mesmo levantamento.
Cremos poder afirmar isso pelo simples facto de todos terem a mesma imprecisão
na representação de Muge, a vila que seria sede de concelho até à reforma
liberal de 1836: a localidade está representada na margem direita da Ribeira de
Muge, e na verdade encontra-se na margem direita. Contudo, apesar desta
“coincidência”, cremos que esta é uma possibilidade bastante remota, pela
quantidade de outros pormenores que há nuns e não noutros.
E – (1883), “Portugal
4”, por Letts, Son & Co.
Já neste mapa
encontramos Muge representada corretamente. Por outro lado, o caminho que no
mapa anterior conduzia o Escaroupim à Ponte de Sor, já não passa junto ao
Moinho do Diego, mas sim ligeiramente mais a sul. Será a mesma via representada
no mapa D, representada num local diferente? Ou será a via apresentada no mapa
B como saindo do Escaroupim para a Ponte de Sor, passando entre Lamarosa e
Erra, até Ferro de Vacas? Neste último caso, poderá não aparecer a via que liga
ao Moinho do Diego simplesmente porque, sendo secundária (como a consideramos
anteriormente), apenas aqui aparecem as vias principais?
Um facto curioso
neste mapa, que não poderíamos deixar de fazer notar, é a inclusão da
representação das linhas de caminho-de-ferro. Surge já a linha do norte, cujo
primeiro troço (Lisboa – Carregado) foi inaugurado em 1856 e em 1859 já chegava
a Santarém, e a linha do Leste, que ligava Abrantes a Elvas, concluída em 1863.
Por fim, este último
mapa, mandar-nos-ia a prudência da investigação, nunca utilizar. Porque nada
sabemos dele, pelo menos até à presente data. Contudo, ele tem alguns aspetos
sobre os quais não poderíamos deixar de refletir. Em primeiro lugar, surge
“Moinho do Diogo” e não “Moinho do Diego”, ou seja, a forma portuguesa do nome.
Poderá ser, por isto, um mapa posterior aos restantes, sendo o nome do lugar
pela linguagem já ter sido “aportuguesado”. Sobre isto, poderemos ainda aventar
uma teoria, reforçando contudo que não temos bases para esta, e não passam de um
mero exercício de suposições: a existência do nome “Diego” virá de um qualquer
sujeito de nacionalidade espanhola, que se fixou em Portugal, especificamente
neste local. Poderia ser o moleiro (que neste caso estaria ao serviço de um português),
ou o próprio proprietário?
Para além disto, há
ainda que ter em vista que as linhas de água das ribeiras não estão
apresentadas no mapa, pelo que se torna mais difícil estabelecer a correta
representação espacial dos lugares. Há um caminho que passa relativamente perto
do “Moinho do Diogo”, contudo, cremos que podemos reforçar aqui a teoria de que
a estrada que liga o Escaroupim ao “Moinho do Diogo” é uma secundária não
representada, e que as que estão a sair dali serão as mesmas do mapa B e E.
Bibliografia
e outras fontes
http://www.oldmapsonline.org
SERRÃO, Joaquim Veríssimo (2003). História de Portugal – Do Mindelo à
Regeneração (1832 – 1851), vol. VIII, 2.ª edição. S/l: Ed. Verbo.
SERRÃO, Joaquim Veríssimo (1986). História de Portugal – o Terceiro
Liberalismo (1851-1890), vol. IX. S/l: Ed. Verbo.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Em abril águas mil! - Para mais tarde recordar
Não são as cheias do Rio Tejo. Não deixam lugares isolados. Não inundam casas. Não são aquelas que "invadiriam os campos, neles permanecendo muitos dias" (A. Cláudio, Conhecer Almeirim - As cheias).
São as cheias da Ribeira de Muge. Que neste ano e neste dia das mentiras (mas bem reais), galgaram as margens onde costumam estar, e decidiram "espairecer" pelos campos em volta.
Para mais tarde recordar!
São as cheias da Ribeira de Muge. Que neste ano e neste dia das mentiras (mas bem reais), galgaram as margens onde costumam estar, e decidiram "espairecer" pelos campos em volta.
Para mais tarde recordar!
E parecendo que não, também cortaram uma estrada
Estrada dos Gagos de acesso a Vale Veados
Zona do Vale de Água
Estrada rural Vale de Água - Vale Medeiros
Aqui costuma ser uma "bifurcação" de cursos de água. Hoje são um único.
Apenas uma preocupação: Vi nas águas muito "entulho", sobretudo na zona da ponte sobre a ribeira na estrada para o Arneiro da Volta. Em parte acredito que este seja consequência da não limpeza da ribeira há alguns anos a esta parte. Não nos devemos esquecer que a ribeira é rodeada de canteiros de arroz, que comunicam entre si por manilhas e que passam por baixo das estradas em vários aquedutos. Se a cheia de intensifica, e continuando um pouco nesta ótica, estes "canais de comunicação" poder-se-ão ver entupidos, dificultando o escoamento das águas, e levando a um aumento desnecessário da cota inundada.
sábado, 30 de março de 2013
Moinhos do Convento da Serra – I Parte
Os
engenhos de moagem eram, na Idade Moderna , pertença quase exclusiva dos
senhorios (nobres ou eclesiásticos) que os recebiam por mercês do rei, segundo
Mattoso (1993a). Eram uma boa fonte de rendimento, devido à cobrança da maquia,
que era de 1/14, segundo o autor citado.
O
Convento da Serra, à semelhança de muitas casas monásticas, foi possuidor de
bens doados pelos monarcas, nomeadamente dois moinhos na margem da Ribeira de
Muge. Contudo, importa primeiro contextualizar um pouco esta casa.
Imagem 1: Pórtico manuelino do
Convento da Serra. Último vestígio construído deste convento dominicano.
Tendo
origem, lendária, no reinado de D. Afonso Henriques, com a descoberta de uma
imagem da virgem no meio da serra e consequente construção de uma pequena
ermida. Contudo, este mesmo culto terá uma maior projeção no final do séc. XV e
séc. XVI, com as estadas da corte em Almeirim. A pequena ermida dá lugar a um
convento, dedicado a Nossa Senhora da Serra, onde passaram a viver Frandes
Dominicanos.
Ao
observar a cartografia já do séc. XVIII, podem retirar-se algumas ilações.
Imagem 2: "Plantas da Terra de Almeirim" (extrato).
Neste primeiro mapa,
observamos o Convento da Serra, com a sua área demarcada. Contudo, sabemos que
naquele local, onde não existem cursos de água, não poderiam existir moinhos. No
entanto, junto à Ribeira de Muge, encontramos três engenhos. Os dois mais a
jusante foram os doados ao Convento da Serra. São designados aqui como o
“Moinho dos Frades” e o “Moinho dos Vecos”.
Imagem 3: "Carta Geográfica das Montarias da Villa de
Santarem" (extrato).
Neste
segundo mapa, datado de 1775, podemos encontrar ambos os engenhos em questão
sob a designação de “Moinho dos Frades”. Acima, isolado, encontramos o Convento
da Serra, na confluência de vários caminhos.
Aquando
da extinção das ordens religiosas, em 1834, e da incorporação na Fazenda
Pública dos seus bens, os frades do Convento da Serra vêm o seu convento
conhecer este destino. Contudo, já se tinham desfeito dos seus engenhos na
ribeira, quando em 1806 os houveram hipotecado, como refere Custódio (2008).
Estes
engenhos não chegaram aos nossos dias. Contudo, ficaram conhecidos como os
moinhos de Baixo e do Meio aqueles que se encontravam já no território da atual
freguesia de Muge, como nos mostra o cartograma abaixo.
Imagem 4:
Carta Militar de Portugal, folha 378 – Raposa. (extrato).
As
localizações dos engenhos são da nossa autoria. Se do Moinho do Meio temos a
certeza da sua localização, do Moinho de Baixo nem tanto. Contudo, pela
observação das imagens 2 e 3, podemos chegar à conclusão que se encontrava
entre o Moinho do Meio e os Caniçais. Voltaremos a esta questão na parte II.
Fontes e bibliografia:
(1775). Carta Geografica das Montarias da Villa de
Santarem
(s/d). Plantas da Terra de Almeirim
Custódio,
Jorge (2008). Almeirim: Cronologia Histórica.
S/l: Edição CMA e Edições Cosmos.
Mattoso, José – dir. (1993a). História de Portugal: no alvorecer da
modernidade (1480-1620). Vol. 3. S/l: Círculo de Leitores.
Tomé,
Samuel (2012). O Património Molinológico
como fator identitário e vetor do desenvolvimento económico: o caso da Ribeira
de Muge. Dissertação de mestrado em Gestão e Programação do Património
Cultural, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
(policop.)
Vasconcellos,
Frazão de (1924). “A sepultura de Fernão Soares”, separata da Arqueologia e História, vol. III.
Lisboa: Tipografia do Comércio.
Vermelho, José (1956). Entre Olivais e Vinhedos. Porto: Edição Secção dos Serviços
Culturais da Casa do Povo de Almeirim.
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