sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Batalha de Aljubarrota e Almeirim

Iluminura de Jean Warvin da Batalha de Aljubarrota
(Crédito imagem: Fundação Batalha de Aljubarrota)




A 14 de Agosto de 2010 comemoram-se os 625 anos da Batalha de Aljubarrota. Comemoração importante, sem dúvida, visto que foi nesta batalha que se alicerçou as condições para ser estabelecida, definitivamente, a independência nacional. No entanto, que tem esta batalha a ver com Almeirim?

Existe um exercício em história que se chama "história contrafactual". É utilizado pelos historiadores para poderem perceber melhor a importância de determinado facto histórico e basicamente resume-se a tentar imaginar como seria os nossos dias se não se tivesse dado esse facto.

Basicamente, podemos perguntar-nos: se não tivesse existido a Batalha de Aljubarrota, existira Almeirim? Almeirim foi fundado pelas em 1411 por D. João I, que 26 anos antes combateu pela independência de Portugal no actual Campo Militar de S. Jorge. Se os portugueses tivessem perdido essa batalha, D. João poderia ter sido feito prisioneiro e até morrido, e hoje seriamos parte do Reino de Espanha. Mais que isto, os monarcas castelhanos, e mais tarde os de Espanha, possivelmente nunca procurariam o "desenfadamento" de Almeirim. Não viriam os escravos para o Paço Real da Ribeira de Muge (possivelmente nem seria construído), e Paço dos Negros, se hoje existisse, não teria com certeza esse nome. Ao não terem vindo os escravos, possivelmente esta zona seria demograficamente diferente.

Posto isto, podemos afirmar que a Batalha de Aljubarrota foi importante para o desenvolvimento de Almeirim, apesar do palco da batalha e a cidade estarem geograficamente separados por quase 100Km.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os livros também são património III: O pequeno livro do grande terramoto


TAVARES, Rui (2009). O pequeno livro do grande terramoto. Lisboa: Tinta-da-China.

Mais uma leitura que termino. Uma reflexão fora de série sobre um dos grandes acontecimentos da nossa história, e que como o autor faz notar, mudou a nossa história: o terramoto de 1755. 
Mais que contar a história do terramoto de 1755, o autor explica como determinados aspectos nos fazem perceber que nada ficará igual. O primeiro exemplo que refere, já no nosso séc. XXI, é o ataque às Torres Gémeas, a 11 de Setembro de 2001. Um dos aspectos que nos pode fazer perceber que mudamos uma página na história é o facto de nos lembrar-mos precisamente do que estávamos a fazer naquele momento. Eu tinha 13 anos, estava em casa com a minha irmã e estava-me a divertir a passar de uns canais para os outros, porque tinham todos a mesma imagem. Até que me apercebi da verdadeira dimensão do fenómeno, e aí sim, parei em algum deles, e ouvi, até que vi o segundo avião embater e tudo mais. 
Permitiu-me ainda descobrir alguns pormenores sobre este período que ignorava por completo. Manuel da Maia teve sete projectos para a reconstrução da cidade de Lisboa, e o Marquês de Pombal só o foi efectivamente algum tempo depois do terramoto, pelo que a reconstrução da baixa lisboeta deve-se a Sebastião José Carvalho e Melo, e não ao Marquês de Pombal. Um outro aspecto, foi a criação da Real Mesa Censória, com a extinção da Inquisição. 
O autor envereda ainda num exercício, chamado "história contrafactual", ou seja, imaginar como seriam o dia-a-dia de alguém se não tivesse existido o terramoto. Exercício brilhante, sem dúvida, e que reforça o impacto que este teve para a história. 

Imagem da Internet. 

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Moinho do Papel

As duas grandes pedras redondas serviam para desfazer o algodão com o qual se fazia o papel.


Exterior do moinho de papel onde são visíveis as chamadas rodas horizontais. 

Tive hoje a oportunidade de (re)visitar o Moinho do Papel, em Leiria. Um espaço muito interessante, sem sombra de dúvidas. Para além de perceber melhor como funciona o moinho de rodízio, e o moinho de roda vertical (azenha). Foi-me permitido ver como se faz farinha, os três tipos de farinha que ali se fabricam (e vendem): trigo, centeio e milho.
Para além disso, e entrando pelo domínio do papel, é possível ver fazer papel. O papel até à segunda guerra mundial era feito em fibra de algodão, sendo esse mesmo que se consegue ver aí. De referir que esta foi a primeira fábrica de papel em Portugal, determinada por um alvará régio de D. João I, em 1411.
A valorização de um espaço que estava completamente votado ao abandono, e que hoje é um espaço digno de ser visitado. Para além de uma excelente recuperação que foi feita ao espaço, é ainda possível ver e fazer quer farinha quer papel. Isto insere-se dentro de um sector que cada vez cresce mais: o saber-fazer, o experimentar fazer algo.

sábado, 12 de junho de 2010

Fonte de Vale Medeiros


Esta, posso afirmar, é um dos mais embelmáticos e mediáticos locais de Paço dos Negros. Ainda me lembro quando saiu n' "O Mirante" várias notícias quer diziam que a água apresentava uma quantidade elevada de coliformes fecais, e que não podia ser bebedia. Eu, que toda a minha vida bebi daquela água, achei um tremendo disparate. E para além de mim, foram mais umas tantas pessoas.

O disparate acabou por se provar. Um grupo de cidadãos juntou-se, e pagou análises no Insitituto Ricardo Jorge, e no resultado apareceu, preto no branco:

"Água própria para consumo" 

Foi aqui que se dismitificou mais uma daquelas coisas que as vezes se lembram de falar... Vá-se lá saber porquê...
Uma parte substancial da população de Paço dos Negros bebe água daqui. Sempre foi assim, e não é por alguém dizer que a água está inquinada que vai mudar. Pelo menos enquanto não se provar realmente que ela não é própria para consumo.
Para além da população de Paço dos Negros, ja lá apanhei pessoas de bem longe. Cartaxo, Salvaterra de Magos, entre outros locais.
Este é um testemunho que se pode afirmar que marca a identidade de Paço dos Negros e faz parte do seu património...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Potes Mouros

Potes Mouros


Potes Mouros - corte

Estes "buracos" encontram-se na Vila de Alcobertas (concelho de Rio Maior). Possivelmente são de origem árabe, e serviam para guardar azeite e cereais, consoante eram de fundo côncavo ou plano, sendo posteriormente tapados com uma tampa de pedra. 
São estruturas que estão muito mal tratadas. A erva impera por todo o lado, não existe um painel explicativo sobre o que buracos são aqueles, além de que não podemos dizer que sejam cumpridas normas de segurança, visto que qualquer criança pode cair lá dentro...
Apesar de tudo isto, merece uma visita!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Tarara

Tarara do Moinho da Ponte Velha

Tarara do Moinho do Paço Real
Foto: Aquilino Fidalgo

Este objecto faz parte da maquinaria da expressão industrial da minha terra: a moagem. Apesar de não servir para moer cereais, serve para limpar o trigo e para fazer a "selecção" dos vários calibres de arroz.
Não sei ao certo como funciona, mas vejo um funil em cima e aquela roda de lado, pelo que penso que isso tem qualquer coisa a ver...
Era um objecto comum, que mostra a identidade de uma comunidade específica (que é a minha). Estas duas estão em moinhos de rodízio implantados junto à Ribeira de Muge. Sobretudo o primeiro encontra-se bastante degradado, e julgo que se fossem alvo de uma intervenção (e abertos ao público!), poderiam ser excelentes exemplares de património de um saber que já não se pratica e que está quase desaparecido...

domingo, 25 de abril de 2010

Tremelgo


Hoje apresento aqui um tipo diferente de património: o património natural. Pergunto se a uma primeira vista, diriam que esta foto foi tirada num pinhal. Parece que não, mas na verdade faz parte da Mata Nacional de Leiria, mais conhecida como Pinhal de Leiria ou Pinhal do Rei. Chama-se a esta zona o Tremelgo, ficando situado na parte sul deste espaço. Este é uma espécie de laboratório ao ar livre, que se fez há já algum tempo, com o intuito de experimentar outras espécies se poderiam aqui adaptar. A verdade é que o pinheiro que aqui domina acabou por nunca ser substítuido. Resta-nos para contemplar este pedaço, sem dúvida original, perdido no meio de um imenso pinhal...