terça-feira, 7 de maio de 2013

Moinhos dos Gagos


Carta Militar de Portugal, com os dois engenhos da Herdade dos Gagos assinalados

A Herdade dos Gagos, como propriedade agrícola com uma vida imensa, sobretudo até ao final do Estado Novo. Como tal, teve um moinho como uma das suas valências, que servia tanto o proprietário da herdade (Conde Sobral), como os seus caseiros.
Não sabemos quando foi construído o moinho velho, assinalado na carta militar a vermelho, cujo desaparecimento há muito se deu (talvez tenha sido demolido na altura em que o novo foi construído). Contudo, ainda são conhecidos os nomes de Manuel Moleiro e António Moleiro como lá tendo laborado. A única data que podemos associar a este engenho é 1720, quando no documento da compra de um outro engenho, se refere que aqui vivia António Roiz.

Moinho dos Gagos – é visível a degradação do edifício. © Manuel Evangelista.

Quanto ao moinho novo, foi-nos dado um marco temporal preciso para a sua construção: foi feito ao mesmo tempo que a ponte de Santarém, ou seja, por volta de 1861/62. Foi um dos que fez contrabando de géneros alimentares durante o período do racionamento no Estado Novo. Teve como moleiros Joaquim Nobre e Benjamim Tomé. Tecnologicamente, este engenho contou com quatro casais de mós, tocados por rodízios. Destes, dois serviam para o arroz, um para a farinha de trigo e outro para a de milho. Hoje, como se pode ver na imagem acima, encontra-se bastante degrado, uma vez que foi inclusivamente parcialmente demolido. As suas mós foram colocadas junto aos casais da herdade, para fazer de mesas, como se pode ver na imagem abaixo.

Aproveitamento de mós para mesas. © Samuel Tomé