terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Como Interpretar e Valorizar o Património - Sessão Técnica na Escola de Hotelaria de Fátima - Parte II

3. A importância do património

3.1. Para as comunidades
O património assume-se, antes de tudo, como um alicerce para as identidades. Com efeito, este é responsável pelos sentimentos de pertença e apenas se pode considerar património determinado bem quando a sua comunidade (seja um aldeia,  um bairro ou um país) se revê nele. Contudo, tudo isto não implica a perda de função turística do património – muito pelo contrário. A autenticidade das manifestações em torno do património trará mais benefícios para as comunidades que malefícios. 


Tomando como exemplo específico a procissão dos caracóis, no Reguengo do Fetal, esta será uma grande base da identidade da sua população, não só pela unicidade deste, com também pelo espirito de trabalho coletivo que encerra. Por outro lado, é pela sua própria singularidade e autenticidade com que ainda hoje se pratica que poderá despertar a vontade de ser conhecida e visitada por pessoas com motivações turísticas.

3.2. Para o turismo
O património assume-se essencialmente como um dos mais importantes produtos turísticos dentro da corrente do chamado “Novo Turismo”. Em oposição a este, o chamado “Turismo Tradicional”, muito virado para as massas e para o turismo de sol e mar, também já fazia uso do património, ainda que de uma forma pouco sustentada. Com efeito, do ponto de vista do turismo tradicional, podemos considerar o usufruto do património dentro do grande chavão das viagens organizadas em autocarros, em que estes despejavam cerca de 40 a 50 pessoas junto a grandes e vistosos monumentos e em que estes faziam visitas rápidas, devido à apertada agenda diária que por norma norteiam estes grupos. Assim, não existe tempo para deixar divisas junto do comércio tradicional, nomeadamente em restauração com gastronomia típica (uma outra forma de património muitas vezes gorada), ou nas lojas de souvenirs.



Por outro lado, associado ao conceito de must see sight (aquilo que tem de ser visto), existe uma grande sobrecarga dos destinos ou de certos pontos destes, onde há uma exacerbada vontade de  mostrar que se esteve em determinado local. É o caso, por exemplo, da Torre Eiffel, em Paris, em que são mais que comuns as fotos com esta em pano de fundo.