sexta-feira, 19 de abril de 2013

Moinho do Diego e a cartografia do séc. XIX – Parte II


Ao voltar a visitar o website “Old Maps”, encontramos mais alguns mapas que referem o Moinho do Diego. Apesar de não os irmos referir a todos, creio ser interessante apresentar mais alguns, pois assim poder-se-ão levantar mais algumas questões.


A – (1800), “Provincias meridionales regni Portugalliae, scilicet Extremadura, Transtagana quibus regnum Algarbiae adiungitur, por Homannischen Erben e Franz Ludwig Güssefeld

Este primeiro mapa representa apenas os cursos de água, barragens e lugares, não apresentado estradas. Contudo, este é o único que encontramos que tem legenda, ou seja, conseguimos saber o que é cada um dos sinais que assinalam os lugares. Assim, o Moinho do Diego é considerado uma “villa”, como Almeirim, Muge, Lamarosa, Erra ou Coruche. Deste modo, cremos poder afirmar com alguma segurança que se tratava não de um engenho isolado, mas sim de um conjunto de habitações, possivelmente até com alguma dimensão, e onde habitaria um número significativo de pessoas. Contudo, parece-nos excessiva a consideração daquele espaço como uma vila, pelo que poderá apenas ser um erro de cartografia.
Em relação ao mapa, há ainda a destacar a representação de uma ponte em Muge (possivelmente a ponte romana). Muge e o Porto de Muge, à semelhança de alguns dos mapas da Parte I, continuam mal situados. Também o lugar que acreditamos ser o Paço Real da Ribeira de Muge surge como “Muya”, à semelhança dos mapas anteriores.

B – (1812), “A new Military Map of Spain and Portugal compiled from The Nautical Surveys of Don Vincent Tofiño, the new Provincial maps of Don Tomas Lopez, the large map of the Ptrenees by Roussill, and various original documents”, por John Stockdale.


C – (1813), Portugal, por John Pinkerton

D – (1835), “Portugal”, por John Cary

As erróneas representações de Muge, de Porto de Muge e do Paço Real da Ribeira de Muge continuam nestes três mapas. Quanto ao Moinho do Diego, parece-nos aqui estar junto à Ribeira da Lamarosa, já perto do encontro desta com a Ribeira de Muge. É um pormenor, que contudo pode resultar apenas de uma incongruência de representação geográfica, e não ser de maior importância.