domingo, 14 de abril de 2013

Moinho do Ti Manuel Custódio


É deste modo que aparece referido na “Carta Arqueológica do Concelho de Almeirim”, o único documento oficial (por oficial, leia-se produzido pelas entidades competentes para a gestão e salvaguarda do património) que faz um inventário dos bens culturais a salvaguardar, nomeadamente os moinhos.

Localização do engenho.

Não conhecemos a origem deste engenho, no entanto, sabemos que ele já existia aquando do levantamento para o “Mapa da Herdade dos Paços dos Negros”, com a data de 1933. Atendendo a que o levantamento terá sido feito nos anos anteriores à publicação do mapa, podemos inferir que o moinho será anterior aos anos 30 do séc. XX. De salientar também que este engenho teve um casal de mós francesas. Estas tinham como característica principal uma maior durabilidade e uma necessidade de picagem inferior às restantes. Vinham de França, daí o seu nome, de pedreiras em duas localidades relativamente perto de Paris: Ferté-sous-Jouarre e Epernon. Os seus moleiros foram Manuel Custódio (proprietário), Manuel Merenda, José Nobre e Joaquim Nobre.

Perspetiva do engenho e da zona do açude. É visível o estado degradado em que se encontra.

A nível tecnológico, cremos que terá sido o maior moinho de Paço dos Negros, pois tinha seis casais de mós. Perto, apenas o da Raposa o conseguia igualar, e nenhum o superava. Estes estavam divididos em dois corpos distintos. O primeiro era utilizado para o descasque de arroz, contando com dois casais de mós. O segundo teria quatro, entre os quais o conjunto de mós francesas. Quanto ao meio de propulsão, este era um moinho de rodízio, como todos os outros que ainda podemos encontrar ao longo da Ribeira de Muge. São ainda visíveis as seteiras dentro do cabouco do corpo mais pequeno.

Seteiras no interior dos caboucos do corpo mais pequeno.

Bibliografia e outras fontes:
- (1933). Herdade de Paço dos Negros. Mapa.
- Jesuína Fidalgo (fonte oral)
- Manuela Evangelista (fonte oral)
- OLIVEIRA, Ernesto Veiga, GALHANO, Fernando e PEREIRA, Benjamim (1983). Tecnologia Tradicional Portuguesa: Sistemas de Moagem. S/l: Imprensa Nacional da Casa da Moeda.
- WARD, Owen (2011). “Millstone Makers of Epernon”, in: International Molinology, vol. 82. S/l: The International Molinological Society. (pp. 19-21)