quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Moinhos dos Palha



Esta é uma designação com a qual podemos abarcar um conjunto de três engenhos, cujos registos mais antigos que temos conhecimento remontam ao início do séc. XVI, mais propriamente a 1511, quando D. Manuel I mandou construir uma residência de caça algures nas charnecas entre Almeirim e Coruche. Junto ao sítio onde seria essa residência de caça existiam três moinhos, pertença de Vasco Palha e Francisco Palha (pai e filho), que os doaram ao monarca, em troca de 10 moios anuais de trigo. Eram conhecidos respetivamente como o Moinho de Cima, do Meio e de Baixo (ou Derradeiro).



1 – Moinho de Cima, do Paço ou da Pinheira

O único dos três que já desapareceu. Situava-se junto aos canteiros de arroz, perto de uma pinheira de enormes dimensões que há alguns invernos atrás foi derrubada, onde ainda hoje se podem ver alguns resquícios de construções.
Teve como proprietários (seja em regime de aforamento ou arrendamento), Luís Vaz (1545), Paulo Soares da Mota I – almoxarife do Paço Real da Ribeira de Muge (c. de 1700) e sua esposa, D. Josefa Maria, após a sua morte. Em 1719 é vendido a António Roiz por 180 000 réis. Na “Planta das Terras de Almeirim” surge como o “Moinho do Desembargador”. Trabalhou até ao início dos anos 40 do séc. XX, tendo tido como últimos moleiros José Teso e António Teso.
Apesar de ser recordado como tendo dois casais de mós, a documentação do séc. XVIII refere que existiam três. 

Aviador, Moinho do Pinheiro 

2 – Moinho do Meio, do Pinheiro ou do Bento

Este engenho estava degradado em 1545, tendo sido aforado a Diogo Lopes, com a obrigação de o reconstruir e pagar de foro a quantidade de 20 alqueires de pão meado. Em 1722 já é designado por “Moinho do Pinheiro”. Em 1805 é herdado por Paulo Nogueira Pina Manique de seu pai, o Intendente Geral, Diogo Inácio de Pina Manique.
É ainda hoje também conhecido por “Moinho do Bento”, devido ao seu último moleiro, Bento Ventura. Aqui também foram moleiros Manuel Teso e José Teso.
A nível tecnológico, este é um moinho de rodízio, com quatro casais de mós graníticas. Possui um aviador, instrumento utilizado na limpeza dos cereais, mais evoluído que a tarara. 

"Bico" entre as grelhas dos tubos de pressão, no açude do Moinho da Ponte Velha.

3 – Moinho de Baixo, Derradeiro ou da Ponte Velha

O nome de “Moinho Derradeiro” advém precisamente por ser o último dos três no curso da ribeira. Em 1536 o moinho caiu, tendo Luís Mota, almoxarife do Paço Real da Ribeira de Muge, solicitado ao rei o aforamento do engenho sem pagar coisa alguma, o que o monarca aceita. Em 1536 é doado a outro almoxarife do paço, Estevão Peixoto, durante a sua vida, igualmente sem pagar nada, mas com a obrigação de o manter operacional.
Na década de 1720 o moinho está aforado a Leonarda Maria, juntamente com outros três moinhos, sendo referida uma redução do foro de 15 alqueires de trigo e 15 de cevada, por este se encontrar bastante degradado. Quanto aos outros moinhos, um sabemos que era o Moinho da Várzea, de que já falamos anteriormente, e outro não sabemos qual. No entanto, devemos realçar que tanto este engenho como o da Várzea têm a construção dos açudes igual, fazendo um bico entre as grelhas dos tubos de pressão. Datará esta construção de quando Leonarda Maria era sua proprietária?
À semelhança do Moinho do Pinheiro, este engenho faz também parte da herança que Paulo Nogueira de Pina Manique recebeu de seu pai. Parou de funcionar no final dos anos 70 do séc. XX, sendo que nos seus últimos anos de atividade servia essencialmente para o descasque de arroz. Os seus últimos proprietários, enquanto engenho em funcionamento foram Custódio Santigo, e posteriormente seu filho, Manuel Santiago. Quanto aos moleiros, foram Bento Ventura e posteriormente, até parar, Anastácio Silva.
A nível tecnológico, é um moinho de rodízio, comquatro casais de mós graníticas (as utilizadas para o descasque de arroz).